Douglas Fernando de Jesus Hartkoff, conhecido como “Anão do Sítio Cercado”, um dos criminosos mais procurados do Paraná, foi preso na segunda-feira, 24 de agosto, em La Paloma, no Paraguai. Ele era procurado no Brasil por uma investigação de homicídio em Curitiba. A prisão ocorreu durante a Operação Espejismo, conduzida pelas autoridades paraguaias. Douglas estava em um dos três imóveis alvo das buscas. Outros quatro brasileiros também foram presos.
A operação apreendeu armas, munições, celulares, equipamentos eletrônicos e veículos. Entre o armamento estavam fuzis dos calibres 7.62 e 5.56.A localização de Douglas encerra uma fuga que começou depois de um crime investigado pela Polícia Civil do Paraná.

O sequestro
A investigação começou em novembro de 2025, depois que Lucas Joaquim, de 27 anos, foi retirado de casa, no Sítio Cercado, por homens que se apresentaram como policiais. O grupo chegou ao endereço em veículos descaracterizados e usava roupas táticas, coletes balísticos e equipamentos que imitavam os utilizados por forças de segurança.
Antes de entrar na residência, os homens permaneceram nas proximidades por cerca de 20 minutos. Depois, renderam as pessoas que estavam no imóvel e levaram Lucas. A ação foi planejada para parecer uma abordagem policial. Lucas foi levado para outro endereço, na Cidade Industrial de Curitiba.
A morte de Lucas
A vítima não voltou para casa. As investigações apontaram que Lucas foi mantido em cativeiro, agredido e morto. O corpo foi localizado posteriormente, e a polícia passou a investigar o caso como uma execução. A suspeita é de que a morte estivesse relacionada a uma disputa envolvendo o tráfico de drogas na região.
Douglas passou a ser procurado pela participação no crime. A investigação também identificou outros integrantes do grupo. Parte deles teria atuado diretamente na abordagem, enquanto outros davam suporte à ação.
Falsos agentes
Os investigadores encontraram elementos que indicam que o grupo utilizava coletes com identificação falsa do GAECO, roupas pretas, balaclavas, capacetes e viaturas equipadas com giroflex. A estratégia era chegar como se fossem agentes do Estado para retirar pessoas de suas casas. Depois da morte de Lucas, a Polícia Civil passou a investigar outros possíveis crimes relacionados ao grupo.
A fuga
Depois de deixar Curitiba, Douglas foi para o Paraguai. Ele passou a viver na região de La Paloma e, segundo as autoridades paraguaias, tentou modificar a própria aparência para dificultar sua identificação. Informações divulgadas pelas autoridades locais apontam que ele passou por procedimentos estéticos e por uma cirurgia nas pernas.
A intenção, segundo os investigadores, era mudar características físicas que pudessem facilitar o reconhecimento. Até que o trabalho de inteligência entre investigadores brasileiros e paraguaios levou os policiais até o endereço onde ele estava.
O esconderijo
Quando os agentes chegaram aos imóveis, encontraram armas, munições, celulares, equipamentos eletrônicos e veículos. Entre o armamento estavam fuzis dos calibres 7.62 e 5.56, além de pistolas e outros equipamentos.Também foram localizados veículos que, segundo as autoridades paraguaias, apresentavam registros de furto ou roubo no Brasil.
O material apreendido passou a ser analisado pelas autoridades paraguaias. No Brasil, os investigadores trabalham para identificar a origem das armas e dos veículos e verificar a relação deles com os crimes investigados no Paraná.
A possível ligação com o PCC
A operação também levantou a suspeita de que os brasileiros presos mantivessem ligação com o Primeiro Comando da Capital, o PCC. As autoridades paraguaias investigam essa possibilidade, mas a relação ainda precisa ser comprovada. A apuração aponta para uma estrutura que poderia atuar na fronteira e manter conexões com grupos criminosos brasileiros.
Preso e de volta ao Brasil
Douglas chegou no final da tarde de ontem ao Brasil. Ele foi entregue ás autoridades brasileiras em Foz do Iguaçu. Agora, a investigação agora deve avançar sobre a participação de cada integrante do grupo e a eventual relação de Douglas com outros crimes investigados em Curitiba.



