A Justiça de Santa Catarina condenou Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, por estelionato e falsa identidade após ela se passar por uma menina de 12 anos e viver durante cerca de 14 meses com uma família em Joinville. A decisão mantém a prisão preventiva da mulher, que deverá cumprir as penas inicialmente em regime semiaberto.
Pelo crime de estelionato, Amanda recebeu pena de um ano, seis meses e 10 dias de reclusão. Já pelo crime de falsa identidade, a condenação foi de quatro meses e 18 dias de detenção. A defesa havia pedido a absolvição da ré e a revogação da prisão, mas os pedidos não foram aceitos pela Justiça.

Mulher dizia ter 12 anos
Segundo as investigações, Amanda utilizava o nome “Gabriele” e afirmava ter apenas 12 anos. Ela teria contado à família que era vítima de abusos e que havia sido obrigada a utilizar hormônios durante a infância, explicações usadas para justificar sua aparência adulta.
A mulher conseguiu ser acolhida por uma família no distrito de Pirabeiraba, em Joinville, e passou a ser tratada como filha. Durante o período em que viveu na residência, recebeu alimentação, moradia e outros cuidados destinados a uma criança.
A farsa foi descoberta depois que uma familiar passou a desconfiar da história e realizou pesquisas sobre a suposta menina. As buscas encontraram informações que relacionavam Amanda a outros casos semelhantes em diferentes estados brasileiros.
Investigação também chegou ao Paraná
O caso de Joinville não foi o primeiro envolvendo a mulher. A Polícia Civil do Paraná também investigou Amanda por um episódio registrado em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo as apurações, ela teria se apresentado a integrantes de um grupo religioso como uma adolescente que sofria de câncer em estágio terminal e, com a história, conseguido obter dinheiro e outras vantagens. O caso ocorreu em 2022 e foi posteriormente retomado pela polícia após a identificação da mulher em Santa Catarina.
A investigação paranaense terminou com o indiciamento de Amanda por estelionato. Durante o interrogatório, ela negou os crimes atribuídos a ela no Paraná.
Outros casos são investigados
Com a repercussão do caso, surgiram informações sobre possíveis golpes semelhantes atribuídos à mulher em outros estados. Investigações e processos relacionados a falsidade ideológica e outros crimes foram identificados em locais como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina.
Em um dos episódios anteriores, uma vítima chegou a criar um forte vínculo afetivo com Amanda, que utilizava outro nome falso e dizia ser uma adolescente. A mulher chegou a tatuar o nome usado pela suspeita durante o período em que acreditava na história.
A defesa de Amanda sustenta que ela apresenta transtornos psiquiátricos e que necessita de tratamento. Um exame de sanidade mental chegou a ser solicitado durante o processo. A Justiça, no entanto, condenou a mulher pelos crimes denunciados no caso de Joinville.



